O terceiro dia do Rock in Rio 2026 transformou a Cidade do Rock em uma verdadeira pista de dança a céu aberto. Nem a chuva diminuiu a disposição do público, que lotou o festival neste domingo (6) para acompanhar uma programação que atravessou gerações, estilos e diferentes ritmos.
Com ingressos esgotados, o dia teve Calvin Harris, Black Eyed Peas, Nelly, Barão Vermelho, Jota Quest e NE-YO entre os grandes destaques. E houve ainda espaço para BaianaSystem, Calema, Sofi Tukker, MEDUZA e muitos outros artistas espalhados pelos palcos do festival.
O momento histórico ficou para Calvin Harris, que encerrou a programação do Palco Mundo como primeiro DJ a ocupar a posição de headliner do espaço, justamente em uma edição que celebra os 25 anos da música eletrônica no Rock in Rio.
Calvin Harris faz história no Palco Mundo

O encerramento do Palco Mundo ficou por conta de Calvin Harris, que transformou a Cidade do Rock em uma gigantesca pista de dança.
O DJ apresentou uma seleção de grandes sucessos da música eletrônica e do pop contemporâneo, acompanhada por uma produção audiovisual de grandes proporções. Imagens no telão e iluminação a laser ajudaram a criar o clima de festa que tomou conta do público.
No repertório, não faltaram hits como “One Kiss”, “We Found Love”, “This Is What You Came For” e “Summer”.
Com cerca de 80 milhões de ouvintes no Spotify e mais de 35 bilhões de streams acumulados na carreira, Harris fez história ao se tornar o primeiro DJ a ocupar o posto de headliner do Palco Mundo.
A escolha também foi celebrada pelo público. O DJ carioca Lucca Fortuna, de 29 anos, que foi ao festival especialmente para assistir ao artista, considerou a presença de um DJ como headliner uma escolha inusitada, mas coerente com a diversidade musical do Rock in Rio.
Black Eyed Peas faz retorno triunfal ao Rock in Rio

Antes de Calvin Harris, o Black Eyed Peas fez um retorno cheio de energia ao Palco Mundo.
Will.i.am, apl.de.ap e Taboo dividiram o palco com J. Rey Soul em uma apresentação recheada de efeitos visuais e grandes sucessos. O grupo, conhecido pela mistura de hip-hop, pop e música eletrônica, colocou a Cidade do Rock para dançar.
Entre as músicas apresentadas estavam “I Gotta Feeling”, “Pump It”, “Rock That Body” e “Don’t Lie”.
Mas o show também ganhou um toque carioca. O grupo incluiu clássicos do funk, como “Rap do Silva”, com participação de Papatinho. A apresentação ainda marcou uma parceria inédita entre os artistas em “We Live Up in Here”.
Nelly estreia no festival com hits dos anos 2000

O rapper Nelly fez sua estreia no Rock in Rio e não economizou nos hits.
Vestindo uma camisa do Brasil, o artista de St. Louis revisitou músicas que ajudaram a marcar o hip-hop dos anos 2000, incluindo “Ride With Me”.
Antes de cantar “Dilemma”, Nelly pediu que o público acendesse as lanternas dos celulares, criando um daqueles momentos de conexão entre artista e plateia.
O show terminou com “Just a Dream”, encerrando uma apresentação que mostrou como seu repertório continua atravessando gerações.
Barão Vermelho resgata a história do rock brasileiro

A abertura do Palco Mundo teve um significado especial para a história do festival.
O Barão Vermelho Encontro Formação Original reuniu Roberto Frejat, Guto Goffi, Mauricio Barros e Dé Palmeira, com participação especial de Fernando Magalhães. A apresentação resgatou a relação da banda com o Rock in Rio e também homenageou Cazuza.
Presente na primeira edição do festival, em 1985, o grupo voltou ao palco com clássicos como “Meus bons amigos”, “Pense e dance” e “Bete balanço”.
Foi um encontro de diferentes gerações do rock brasileiro dentro de um festival que, mais uma vez, mostrou sua capacidade de conectar passado e presente.
Jota Quest homenageia Tim Maia no Palco Sunset
No Palco Sunset, um dos momentos mais emocionantes ficou por conta do Jota Quest.
A banda apresentou um repertório formado exclusivamente por músicas de Tim Maia, em uma homenagem ao chamado “síndico”. O show começou com “Dance enquanto é tempo” e passou por sucessos como “Acenda o farol”.
Um dos pontos altos foi a participação de Tony Tornado. Aos 97 anos, o cantor e ator, um dos precursores da black music no Brasil e grande amigo de Tim Maia, emprestou sua voz a “Sossego”.
Na reta final, Rogério Flausino desceu do palco e interagiu com o público enquanto milhares de celulares iluminavam a Cidade do Rock ao som de “Você”.
Depois vieram “As dores do mundo”, a participação de Negra Li em “Descobridor” e o encerramento com “Não quero dinheiro”.
NE-YO encerra o Sunset com seus grandes hits
Fechando a programação do Palco Sunset, NE-YO levou ao público uma sequência de sucessos que ajudaram a definir o R&B e o pop das últimas duas décadas.
O cantor apresentou músicas como “So Sick”, “Miss Independent” e “Closer”, conduzindo o público por um repertório cheio de hits.
Um dos momentos de maior conexão aconteceu quando o artista desceu do palco para cumprimentar os fãs que estavam nas grades.
BaianaSystem e Calema levam brasilidade ao Sunset
Antes de Jota Quest e NE-YO, o Sunset também recebeu apresentações que ampliaram a diversidade musical do domingo.
A programação começou com o Calema, duo formado por irmãos de São Tomé e Príncipe que fez sua estreia na Cidade do Rock. A dupla apresentou músicas como “A Nossa Vez” e “Vai” e recebeu Dilsinho como convidado especial para cantar “Leva Tudo”.
Depois, o BaianaSystem incendiou a plateia com diversas participações especiais, incluindo Alice Carvalho, Antônio Carlos e Jocafi, o projeto Afrossinfonicas e o jamaicano Ranking Joe.
O grupo também revisitou diferentes momentos de sua trajetória e trouxe referências ao folclore brasileiro, com músicas como “Água”, “Sulamericano” e “Balacobaco”, parceria com Anitta.
New Dance Order mantém a pista cheia
Se os palcos principais já tinham colocado o público para dançar, o New Dance Order garantiu que a festa continuasse.
A programação começou com o movimento “Dance For a Better World”, em um espetáculo que combinou música eletrônica, luzes e coreografias para transmitir mensagens de amor, paz e diversidade.
A noite seguiu com Sofi Tukker, Casa Bonita, Liu e MEDUZA, que encerrou a programação do espaço mantendo a energia da Cidade do Rock em alta até o último beat.
O domingo também marcou os 25 anos da música eletrônica no Rock in Rio, reforçando a importância do gênero na história do festival.
Espaço Favela celebra rap, trap e funk
A música também ganhou diferentes sotaques no Espaço Favela.
A programação teve Budah, Rael e Xamã. Rael levou ao público sua poesia e seu discurso de consciência social em uma apresentação inspirada nas rádios comunitárias.
Xamã encerrou a noite misturando rap, trap, funk e referências da música brasileira, acompanhado por banda e DJ.
No repertório estiveram sucessos como “Malvadão” e “Leão”, parceria com Marília Mendonça, além de uma passagem pelo projeto Poesia Acústica.
Supernova e Global Village também tiveram programação especial
No Supernova, O Escritório abriu a programação, seguido por Bayside Kings e Matanza Ritual.
O espaço ainda recebeu o especial “Blitzkrieg Psycho Bop — Ramones 50 Years”, com João Gordo e Asteroides Trio, celebrando cinco décadas de uma das bandas mais importantes da história do punk rock.
Já o Global Village começou com Bento Gil convidando Flor Gil, em uma celebração da música brasileira e da herança musical da família Gil.
Na sequência, Mãeana apresentou sua sonoridade autoral e contemporânea, antes de Mohamed Ramadan encerrar a programação com o pop árabe e colocar o público para dançar.
Um domingo de chuva, música e muita dança
Mesmo com a chuva, o público não perdeu o ritmo. Quem esteve na Cidade do Rock chegou preparado, transformando capas de chuva e acessórios em parte do visual do festival.
Para quem acompanhou os shows, a chuva acabou sendo apenas mais um elemento de uma noite que teve música para dançar, encontros entre gerações e apresentações históricas.
E o sentimento de quem esteve por lá resume bem o clima.
Para Eduardo Ferreira Campos, de Magé, a energia foi um dos grandes destaques da noite. Ele também ressaltou a qualidade dos efeitos visuais e a possibilidade de pessoas de diferentes idades aproveitarem os shows mesmo sem estar próximas ao palco.
Rock in Rio 2026 mostra que música não tem fronteiras
O terceiro dia do Rock in Rio 2026 mostrou que o festival pode continuar fiel à sua história e, ao mesmo tempo, abrir espaço para diferentes gêneros e linguagens.
Teve rock brasileiro com Barão Vermelho, hip-hop com Nelly, pop e música eletrônica com Black Eyed Peas, R&B com NE-YO, homenagem à música brasileira com Jota Quest e Tim Maia e uma verdadeira celebração da música eletrônica com Calvin Harris e o New Dance Order.
No fim, a Cidade do Rock cumpriu novamente sua vocação: reunir pessoas diferentes em torno da música e transformar um domingo de festival em uma grande celebração.
Quer acompanhar tudo o que acontece no Rio de Janeiro? Siga o Instagram @oquefazernorio para conferir eventos, shows, atrações e dicas para aproveitar a cidade.





