EXPOSIÇÃO A TENSÃO: A ANGÚSTIA DA MENTE QUE HABITO

Se no longa de Pedro Almodóvar, ‘A Pele que habito’, o espectador se viu às voltas com a perturbadora sensação de ser prisioneiro de um corpo estranho junto com Vicente, na exposição ‘A Tensão’ de Leandro Erlich, que acaba de chegar ao CCBB Rio de Janeiro com curadoria de Marcello Dantas, o incômodo vem quase como um soco físico. Desses que nos deixam abobados com uma sensação de longa “ressaca” de ácido. Mas trata-se só espelhos e ilusão de ótica.

Ao espectador que goza das suas perfeitas habilidades “labirintíticas” com a licença do neologismo, a exposição é uma brincadeira de criança. Um parque de diversões espelhado onde a graça é brincar com as possibilidades que a mente cria, mas para a turma da vertigem, é uma odisseia no espaço. Quando você perceber a sensação que traz a sala da ‘Barbearia’ pode ser tarde demais, suas capacidades de percepção estarão comprometidas. É um cenário que nunca tem fim e cenários que nunca tem fim podem ser pavorosos para os claustrofóbicos. O mesmo vale para a grande estrutura metálica do elevador. Uma sensação assustadora de imensidão.

A grande estrutura metálica do elevador

A arte de Leandro é incômoda e pode trazer gatilhos até no barulho da cabine de avião fielmente representada. Em contrapartida, é genial como o artista consegue nos fazer viajar sem sair do lugar através da minúscula janela de metrô que percorre Nova York, Tóquio e Paris. Uma pausa para a leveza. Já na obra “The View”, o autor nos convida a entrar no cenário da Janela Indiscreta de Hitchcock e perceber que somos, enfim, fascinantemente triviais.

 

A obra mais aclamada é a grande piscina espelhada que virou coadjuvante. Não das fotos, mas na sensação. O 1 minuto e meio previsto para cada visitante na estrutura são insuficientes para adentrar na atmosfera da dúvida que Erlich deseja. Mas ok ok, tem uma fila para foto (o mal do século) e você precisa dar espaço.

 

“A tensão” é uma exposição excelente. Ela obriga o espectador a participar, a se confrontar e a se encarar, e não é nos espelhos que eu estou falando. São sensações sutis em alguns momentos e uma pancada em outros e que você só vai perceber se prestar atenção (e aí entra a dualidade da tensão que pode ser lida também como ‘atenção’).

A mostra fica em cartaz no CCBB RJ até 07 de março, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos virtualmente. Retire o seu com antecedência e planeje bem a sua visita. Respeite o horário escolhido para a visitação, porque a mostra está sujeita a lotação e há limite de pessoas por hora.O CCBB também exige comprovante de vacinação das duas doses na entrada e o uso de máscara é obrigatório, não podendo retirá-la nem para beber água dentro das instalações.

SERVIÇO

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Horário: de 9h às 20h
Ingressos: Site Eventim https://www.eventim.com.br/eventseries/exposicao-leandro-erlich-a-tensao-3051063/
Classificação Livre

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