Últimos dias para aproveitar a exposição ‘Força, precisão e leveza’ no MAM

28/01/2020 0 Por Natália Alves

 

      Exposição no MAM traz obras de grandes artistas espalhados pela cidade

Obra externa da exposição ‘Força, precisão e leveza’ nos jardins do MAM

Como já publicamos por aqui, está em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio, o MAM, a exposição ‘Força, Precisão e Leveza’ oferecido por um dos seus mantenedores, a maior siderúrgica da América Latina, Ternium. E essa é a última semana para conferir a mostra. Com o intuito do trazer que nada na vida é imutável, exceto a mudança, quer propor ao público uma referência ao processo de transformação de materiais brutos como o minério de ferro e o carvão em aço, que, entre milhares de outras utilizações, também pode se converter em obra de arte. E, como todos sabemos, nada transforma mais do que a arte. A arte transforma a vida e transforma o público, que por sua vez também transforma a obra de arte, que só adquire sua plena significação em virtude dessa interação com o espectador.

 

 

Todas as obras aqui reunidas tiveram origem naqueles elementos brutos e primários que, submetidos à ação transformadora da ciência e da indústria, resultaram em um elemento chamado aço, ao qual cada um desses três artistas conferiu nova e diferente significação através de seus respectivos processos criativos. Nada é permanente; tudo se transforma. E mesmo o resultado desses processos está fadado a se transformar. Não somente física ou intelectualmente, como também conceitual e até mesmo espiritualmente. A única certeza permanente que a vida nos oferece é a de que tudo muda, tudo se transforma, sempre e sempre, contínua e interminavelmente.

E eu tenho certeza que a sua percepção sobre a cidade irá mudar depois de conferir essa exposição. Depois de visitá-los por duas vezes e conhecer um pouco mais sobre os artistas Almicar de Castro, Franz Weissann e Waltercio Caldas, os magos que transformaram o material bruto aço em obras leves, fluidas e coloridas, comecei a reparar em vários pontos da cidade, especialmente no Centro, um pedacinho de cultura deixado por eles. Além das esculturas de Almicar e Weissnann que podem ser vistas na parte externa nos jardins do MAM, também é possível identificar peças na Av. Beira-Mar de Waltercio Caldas, no Largo São Francisco de Paula, além do Edifício IBM (Botafogo), no Conjunto Universitário Cândido Mendes (Centro), em frente à Casa de Cultura Laura Alvim (Ipanema) e na Av. República do Paraguai.

Obra de Waltercio Caldas na Av. Beira Mar no Centro

Algo muito legal que aprendi na exposição, que é aberta para o público de todas as idades, está relacionado principalmente às obras em aço de Weissnann, que são sempre em formatos geométricos e coloridos, e quase sempre cores vivas, como vermelho, laranja, amarelo, azul. Estudei durante anos no Largo São Francisco e passava por aquela obra todo dia e jamais imaginei a proporção e a singularidade daquele trabalho. São milhares de combinações num grande jogo de encaixes e repetições. Weissmann foi um dos grandes nomes do projeto construtivo brasileiro e sua obra é uma referência para muitos.

Obra de Franz Weissmann no Largo São Francisco no Centro

Amilcar de Castro quase sempre utiliza placas densas e grossas de aço e simplesmente as dobra com tamanha suavidade como se fossem simples folhas de papel. Ele apenas faz incisões como se fossem linhas e dobra o aço. Com essas incisões cria os espaços vazios que às vezes o olho comum não é capaz de perceber em um primeiro instante. Faz isso em diferentes escalas e nas formas as mais diversas. Peças de grandes dimensões, suas obras pesam toneladas, mas apresentam uma primorosa combinação de força e leveza.

Já as obras de aço de Waltercio Caldas são sempre muito bem polidas e de grande precisão. Muitas vezes ele as combina com outros elementos que aparentemente são opostos ao aço: um simples fio de lã ou algodão ou até mesmo o vidro. Meticulosamente planejadas e executadas, suas obras expõem bem sua narrativa poética. São excepcionais, de pura harmonia e plenas de significados. Obras que espelham admiravelmente bem o conceito norteador desta mostra: força, precisão e leveza.

E a reflexão que ‘Força, precisão e leveza’ nos traz é exatamente essa. Como não só deixamos passar detalhes artísticos importantes do nosso dia a dia, mas também a delicadeza desses artistas em transformar um produto aparentemente bruto e sem utilidade para a arte em algo extremamente valoroso e tocante.

Serviço
ÚLTIMA SEMANA – Até domingo, 2/02/2020
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Flamengo
De ter – sex 12h – 18h, sáb, dom e feriados 11h – 18h
Ingresso família R$ 14 (domingos, até 5 pessoas)
Gratuito: quartas-feiras; menores de 12 anos; Amigos do MAM Rio; funcionários das empresas mantenedoras, parceiras e apoiadoras; associados e colaboradores do MAM São Paulo, associados do MARCO.
Meia-entrada: estudantes, maiores de 60 anos, menores de 21 anos, portadores de deficiência e acompanhante, jovens de família de baixa renda, profissionais da rede pública municipal de ensino do Rio de Janeiro, usuários do cartão Giro, sócios Clube O Globo (até 2 ingressos).
75% de desconto: Amigos EAV e alunos EAV.
Pagamento: dinheiro ou cartões de débito.

 

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