Pedra do Sal e Som das Artes: um tributo a brasilidade

05/06/2017 0 Por Natália Alves

Se você ainda não conhece a Pedra do Sal talvez me faltem palavras para descrevê-la. Do engomadinho do Leblon ao pé de cana dreadlock da Lapa, a Pedra do Sal reúne todos os gostos cariocas, inclusive, centenas de ‘gringos’ passeiam pelo local com desenvoltura de nativo.
Eu que me acho super carioca fiquei boba como eles transitavam e conheciam o lugar com a palma da mão.

O evento ocorre todas às segundas e sextas feiras da semana e além de samba tem black, funk e hip hop reunidos.

Não há uma ordem, tampouco um padrão, a mistura de estilos dá o tom do local. Em menos de 20 min fiz 6 amigos, arrebanhei uns 10 seguidores pra página e tirei uma porção de fotos dos frequentadores que se esbaldavam a sorriso solto.

Na pedra é assim, informalidade e descontração em sua forma mais pura. Lá está localizado a Comunidade Remanescentes de Quilombos da Pedra do Sal e é um grande tributo a cultura negra e conhecida como “Pequena África”. Era aqui onde o sal, alimento caríssimo na época do Império, era descarregado das embarcações.

O sal era tão caro que o nome salário tem origem em ‘sal’, pois era pagamento para diversos serviços da época. Posteriormente, virou local de encontro de sambistas que trabalhavam como estivadores.

Embora hoje seja um ambiente de festa, no passado foi ponto de troca e venda dos escravos que chegavam no navios negreiros, aliás, essa área toda da Gamboa/Saúde/Praça Mauá conserva a história negra no Rio. Um bairro histórico que além de extremamente rico culturalmente estampa no semblante a mensagem de que a escravidão não será esquecida. Simboliza a resistência negra nos dias de hoje.

Já o Som das artes ocorre toda segunda-feira a partir das 17 horas no Largo da Prainha, próximo a Pedra do Sal. O evento surgiu da iniciativa de um coletivo de artesões e além do samba, diversas barraquinhas são montadas na praça com gastronomia, moda e arte de pequenos produtores.

 

 

Pra quem passa por lá a figura da Tia Lúcia, uma das fundadoras, é marcante. Uma senhorinha que canta e dança cheia de energia.

O Som das Artes já esteve em vias de ser extinto pelo Prefeitura em meados de março de 2016, porém com o apoio da grupos mobilizadores conseguiram se manter no espaço.

O clima é contagiante e além da tia Lúcia, pessoas se embalam e dançam como se não houvesse amanhã ao som de um delicioso samba.

 

 

A música e as barraquinhas começam a se encerrar por volta da meia noite e se inicia a partir das 17h.

Como chegar Pedra do Sal Na Praça Mauá, descer pela rua Sacadura Cabral e entrar no Largo de São Francisco da Prainha
e seguir pela direita e seguir pela Rua Argemiro Bulcão.

Segundas e sextas: 19:30 à 00:00 (só não rola se chover). Segunda costuma ficar mais cheio.

Gratuito Estação de metrô mais próxima: Uruguaiana

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