Paquetá

30/06/2017 0 Por Natália Alves

Paquetá é um bairro encantador. Recheada de história e lendas urbanas, a ilhazinha parece que parou no tempo. Andar por lá faz você se sentir em uma novela de época da Rede Globo. Essa da foto é a Ponte da Saudade e segundo o conto diz, tem esse nome porque João, trazido de um navio negreiro, chorava de saudade todas as noites pela amada Januária na ponte. Um dia, não retornou a senzala quando o dia clareou. Quando se puseram a buscar João, souberam que naquela noite um clarão de ofuscar iluminou toda a ponte e prateou o mar. Tornou-se crença entre escravos que a falange de Iemanjá viera chamar por João para devolvê-lo ao seu lar. O cais da dor de João virou ponte da saudade, altar de reza de escravos que queriam ser, um dia, levados de volta pra casa no colo daquele orixá.

 

 

Arrepiante, né?! Essa e outras histórias eu li pelas paredes da Casa de Artes de Paquetá, no final da praia de São Roque. O casarão, que recebe diversas atividades culturais como chorinho e saraus com ingressos que vão, no máximo, até R$10, é um dos patrimônios mais visitados. Não é por menos, os janelões com vista para o mar e o quintal fresco e arborizado são um belo convite pra chegar e ficar mais.

Na Praça de São Roque também tem a fofíssima Capela de São Roque, a primeira do bairro. Diz a lenda (olha outra aí), que quem bebesse da água milagrosa do poço ao lado dessa igreja pensando na pessoa amada, essa cairia de amores por quem a bebesse.

 

PASSEIOS EM PAQUETÁ

Engana-se quem pensa que Paquetá não tem nada pra fazer. Embora seja verdade que em apenas um dia dê pra conhecer a ilha, hospedar-se um final de semana aqui foi uma delícia pra conhecer em ritmo lento e despretensioso as atrações do bairro.

Um passeio CLÁSSICO são os pedalinhos e caiaques na Praia de José Bonifácio. Ideal pra ir em casal! O momento foi oportuno, um pôr do sol de tirar o fôlego se derramava pela baía e diversos casais passavam por a gente, abraçadinhos. Se eu puder indicar um horário ideal, é esse! O valor é R$20 reais meia hora. A charrete eletrônica (que são em carrinhos de golfe – não tem mais cavalos aqui) e a bicicleta são os passeios mais procurados. Isso porque com eles dá pra dar a volta na ilha inteira. O tour guiado de charrete sai R$100 até quatro pessoas a volta completa e R$70 os pontos turísticos para até quatro pessoas.

Passamos pelo Parque Darke Matos que é perfeito pra um picnic, além de ter um mirante incrível, Pedra da Moreninha e casa da Moreninha onde foi gravada a novela, casa de José Bonifácio entre outros. A bike sai por R$17 e R$20, o quadriciclo, a hora. Esse último ideal para adultos com crianças. Os moradores são extremamente atenciosos e muito dispostos a darem qualquer informação que precisarem. A ilha é um charme e vale muito a pena ser vista.

 

 

ONDE SE HOSPEDAR EM PAQUETÁ

Pra quem procura “viajar sem sair do Rio”, a ilha é um lugar perfeito. Escolhemos a pousada Acordes ao Luar que fica coladinha nas barcas. A entrada na ilha é feita somente através das barcas e catamarãs que saem da Praça XV no centro e atravessam a Baía de Guanabara. O trajeto leva cerca de 30 minutos de catamarã, que funciona nos dias de semana, e 1h de barca normal que funcionam aos finais de semana.

 

 

A Pousada tem muitas suítes, todas com cozinha equipada com frigobar, pia, sanduicheira e a mesa onde é servido o café da manhã. Não há restaurante, por isso ele é servido nos quartos. Os itens são escolhidos no ato do check-in e pode marcar quantas opções quiser.

Nós escolhemos suco, que vem em uma jarra, bolos, pães, ovos mexidos (vem um potinho pra cada), pão de queijo, geleias e frios. Para duas pessoas a quantidade que vem por item é muita coisa, principalmente os frios.

A estrutura dos quartos e da pousada é simples, mas charmosa. A decepção ficou por conta do chuveiro de onde saíam jatos muito finos de água.

Recebemos muitas mensagens no ‘Instagram’ e no ‘Facebook’ dizendo que o preço da diária é muito alto para o lugar, R$280 dias de semana e R$500 o pacote do final de semana, e de certa forma é. Geralmente esse é o valor que hotéis de luxo cobram na baixa temporada e para um lugar que é possível ir em um dia e voltar no mesmo dia, poderia ser mais em conta mesmo.

ONDE COMER EM PAQUETÁ

Como não podiam ser diferentes, os restaurantes traduzem fielmente a tranquilidade que é o bairro. Atendimento cortês e simplicidade que conquista. Nossa primeira parada foi no Quintal da Regina, participante do concurso ‘Comida di Buteco’ nos dois últimos anos. Conhecemos a Regina que se dedica fielmente ao restaurante e atende com presteza todos os clientes.

 

 

Experimentamos o petisco concorrente desse ano, ‘As gostosas de Paquetá, que são linguiças caseiras com farofa crocante de alho e tomate. Gostamos bastante desse petisco, principalmente pelas linguiças artesanais sem gosto de industrializada. A farofa também casou muito bem com o tomate bem molhadinho.

 

Em seguida, o arroz do mar com fartura de camarão, lulas, salmão e mexilhões, que poderiam estar mais frescos, umas vez que parecem terem sido descongelados e servidos, e o baião de dois de carne seca e queijo coalho. Para acompanhar, peça a cerveja Paquetá Weiss que é deliciosa.

O Quintal é ótimo para ir com amigos e sentar-se em uma grande mesa na calçada. O tempo passa sem pressa, a conversa rola solta e de barulho apenas o som do violão e das bicicletas desfilando em cima das pedrinhas. Pra um final de semana tranquilo e longe do caos urbano.

Nossa outra parada foi no simpático Zeca’s Restaurante, estreante do ‘Comida di Buteco’ desse ano. Havíamos experimentado o petisco concorrente ‘Belo, recatado e do mar’ na apresentação para a imprensa e lá conhecemos o seu Zeca, o senhor mais FOFO da vida! Quero pra meu avô, sério!

Como ele mesmo disse, hoje só vai para receber o dinheiro, o que é pura mentira, já que quem sai das barcas na hora do almoço se depara com ele distribuindo panfleto, além de ficar passando de mesa em mesa pra conversar com os clientes, mas seus funcionários não deixam a desejar e atendem de forma muito simpática (beijo pra Taila, uma fofa!).

Além do petisco, tortinha de massa folheada com camarão na manteiga e requeijão cremoso com chips de aipim gratinados com cheddar e bacon (quatro unidades robustas), pedimos o camarão com requeijão cremoso que serve bem até três pessoas e estava delicioso. Como pode escolher dois acompanhamentos, optamos pela salada primavera e legumes salteados.

 

 

Após as 18h tem rodízio de pizza e aos finais de semana música ao vivo. O restaurante fica na pracinha em frente à pousada Acordes ao Luar que ficamos hospedadas. É bem próximo da saída das barcas, basta pegar o sentido do lado direito e caminhar uns 2 minutos. Não tem mistério!

INFORMAÇÕES ÚTEIS PAQUETÁ: como chegar, horários e valores da barca.

Apesar de ser famoso, não são todos os cariocas que tiveram a oportunidade de visitar esse bairro incrível e sequer sabiam da sua existência. Por isso vamos dar todas as coordenadas de como chegar:

Basta pegar a barca que sai da Praça XV, próximo ao Paço Imperial no Centro. O bilhete custa R$5,20, tanto a barca normal como o catamarã. A diferença é que o catamarã tem saídas nos dias de semana e tem ar condicionado e a barca nos finais de semana, sem ar condicionado, mas com um ventinho gostoso da Baía.

ATENÇÃO para os horários:
Praça XV – Paquetá
dias úteis: Embarque: 5h30; 6h30; 8h30; 13h20; 15h30; 17h30; 18h30; 20h; 22h15; 0h

Finais de semana e feriados (a cada hora e meia):

Embarque: 4h30; 7h; 8h30; 10h; 11h30; 13h; 14h30; 16h; 17h30; 19h; 20h30; 22h; 0h.

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