Leiteria Mineira: patrimônio culinário carioca

22/01/2018 0 Por Natália Alves

Dizem que o forte daqui, como sugere o nome, são as iguarias a base de leite como o mingau, a coalhada e o pudim. Desajustadas que somos, acabamos indo no horário do almoço e não no café, porém o cardápio não deixou a desejar, pelo contrário, surpreendeu e muito positivamente. Antes que eu fale dele, uma breve apresentação sobre o que é a Leiteria Mineira, uma casa construída em 1907 que foi considerada patrimônio cultural pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. Aberta no auge da remodernização da cidade no século XIX, a casa nasceu junto com a construção da Av. Rio Branco, a Biblioteca Nacional e outros cartões postais do centro da cidade. Hoje é a única leiteria sobrevivente na cidade, na época eram muitas. Sentar-se aqui é como fazer um mergulho no passado. Na parede inúmeras reportagens e fotos da época que papel nem retratos possuíam cor. Quase tudo em preto e branco e sépia. De recente, as reportagens do Jornal O Dia e O Globo anunciando o título de “bem imaterial da cidade”. E isso já tem uns dois anos…
Chegamos por volta das 15h30 e o restaurante estava vazio. Na porta do lado de dentro, três garçons observavam o vai e vem da rua, ávidos para receber clientes. Fomos atendidas por um garçom afoito e tão prestativo que deu vontade de abraçar. Sugeriu pratos, foi sincero em relação ao tamanho deles e quando chegou – menos de 5 minutos depois de ter sido feito o pedido -, estava a postos para perguntar se estávamos gostando. O movimento havia sido fraco naquela sexta e sensação de desolação pairava no ar. Pedi o ‘Especial escalope a surprise’, um bife a milanesa gigantesco recheado com queijo e presunto com batatas fritas e arroz (R$40), e minha mãe o ‘Lombinho de porco’ com tutu, arroz e couve (R$35,50) – a primeira opção seria a rabada, servida apenas às sextas-feiras, mas que tinha acabado, o que me consola ao perceber que o movimento não havia sido tão ruim, afinal. Há de se dizer que os preços não são agradáveis, por R$40 come-se no centro da cidade duas pessoas fartamente em qualquer estabelecimento que ofereça PF. O próprio ‘Esquimó’, ( outro tradicional da cidade, oferece refeição completa na casa dos R$20 e tantos reais, porém hei de ser justa em relação à Leiteria, uma vez que os pratos estavam muito saborosos e com qualidade ímpar. O tutu estava diferente de todos que já vi. Com textura extremamente cremosa e leitosa, foi um belo presente para minha mãe que há anos não sabia mais o que era um tutu sem o feijão estar quase vencido. Já o escalope pareceu muito grande a princípio, mas estava tão gostoso que quando dei por mim já tinha acabado. A carne, embora estivesse a milanesa e isso seja um belo motivo para nos tapearem com carne de baixa qualidade, veio no ponto certo.
Os pratos eram tão bem servidos que não sobrou espaço para a sobremesa. Uma pena, mas uma boa desculpa para voltar em breve. Embora a sexta estivesse fria e cinzenta na Rua da Ajuda, as barriguinhas estavam aquecidas e os corações alegres na parte de dentro do número 35. Foi uma tarde deliciosa e a Leiteria a escolha certa para nossa pequena confraternização de mãe e filha. Estação de metrô mais próxima: Carioca.
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