Andando no bondinho de Santa Teresa: uma experiência antropológica

05/06/2017 0 Por Natália Alves

Na verdade, andar em qualquer veículo público em Santa é uma experiência antropológica.Digo isso porque minhas viagens mais divertidas foram as que fiz de ônibus até lá, as ruas são muito estreitas e todos os motoristas se conhecem. Naquele ‘Paula Mattos’ que sobe da Gomes Freire vai vovó, cachorro, gato, periquito e você, espremida entre todos eles. Alguém grita “para aí motor”, aí você vai ver o sujeito não está no ponto, e sim porta de casa.

O motorista para tranquilamente e ainda manda um abraço pra ‘Dona Maria’, seja lá quem ela for (provavelmente a mãe do sujeito). Santa é quase que um Rio interior dentro do Rio, embora viva lotada de turistas estrangeiros, são seus fiéis moradores que dão o ar burlesco ao local.

 

 

Parada no Largo do Curvelo esperando o próximo bonde para retornar ao centro, um senhorzinho me interpela “Oi, você já foi no Parque das Ruínas? Vai lá, a vista é linda”. Sim, eu já fui no Parque das Ruínas incontáveis vezes, mas não resisti em soltar um “eu ACABEI de voltar de lá, é muito lindo” e fica ele todo pimpão orgulhoso do próprio bairro.

Pegar o bonde é sentir essa Santa Teresa, do bonde que demora pra sair porque o condutor esperou o grupo de meninas que vinha correndo embarcar, dos moradores impacientes com a lentidão do negócio (e olha que a ‘viagem’ dura uns 15 minutos no máximo) e de ver o bendito SAINDO DOS TRILHOS

 

 

Parece que é comum isso acontecer devido às quedas de energia (só torça pra não acontecer quando tiver passando em cima dos Arcos da Lapa).

 

Bonde fora dos trilhos, queda de energia parece ser comum no veículo

 

Até 2017 estará funcionando parcialmente e faz os dois pontos principais, passa pelo Largo do Curvelo (próximo do Parque) e faz seu ponto final na Almirante Alexandrino (em frente ao cinema).

Ir a Santa e não andar de bonde é como ir a Paris e não ver a Torre Eiffel. Faz parte do roteiro e imprime todo charme ao seu passeio, apesar dos pesares.Como nem tudo são flores, recentemente o passeio no bonde passou de gratuito para um valor abusivo de R$20! Segundo o governo do estado, a cobrança é necessária para cobrir os gastos do déficit orçamentário da crise econômica pela qual passa o Rio.

Pelo menos os moradores do bairro têm acesso gratuito, mas pra quem é turista e não está com milhões de euros no bolso acaba saindo bem caro.

Onde pegar Sai atrás do prédio Edise da Petrobrás na Av. Chile

Dias e horários de funcionamento 11h às 16h de segunda à sábado. R$20.

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